Nem toda sinistralidade é igualmente controlável. Uma parcela é determinada por fatores estruturais: perfil etário, condições crônicas preexistentes, cobertura contratada. Mas existe uma parcela que o RH consegue influenciar diretamente, com ações concretas e resultados mensuráveis. A chave é saber exatamente onde focar.
1. Uso de pronto-atendimento em vez de consulta agendada
O pronto-atendimento (PA) custa, em média, 50% a 60% a mais do que uma consulta médica agendada para o mesmo tipo de queixa. Grande parte do uso de PA não é urgência real: é falta de acesso fácil a agendamento ou desconhecimento da rede credenciada.
O que fazer: campanhas de educação sobre a rede de saúde, comunicação clara sobre como agendar consultas, lembretes sobre check-ups preventivos. Empresas que implementaram programas estruturados de educação reduziram o uso de PA em 15% a 25% em 12 meses.
2. Doenças crônicas sem acompanhamento adequado
Hipertensão, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares são as maiores geradoras de internação evitável nos planos coletivos. Um colaborador diabético sem acompanhamento regular tem probabilidade significativamente maior de gerar um evento de alto custo (internação, procedimento de emergência).
O que fazer: programas de identificação e acompanhamento de crônicos com incentivo financeiro, como isenção de coparticipação para consultas de acompanhamento. Operadoras geralmente têm esses programas disponíveis, mas raramente os ativam sem solicitação explícita.
3. Saúde mental sem suporte
Nos últimos três anos, os afastamentos por transtornos mentais se tornaram a segunda maior causa de afastamento no Brasil. O impacto na sinistralidade é duplo: custo direto do atendimento e custo indireto de afastamento prolongado.
O que fazer: psicologia acessível via plataformas digitais, programas de apoio ao colaborador (PAC/EAP) com acesso por WhatsApp, e gestão ativa de afastamentos com reintegração planejada.
Como priorizar onde agir
O ponto de partida é o relatório de sinistralidade por CID. Com esse dado, é possível identificar quais grupos diagnósticos representam a maior fatia do sinistro e qual tem maior potencial de redução com intervenção. Nem toda operadora entrega espontaneamente, mas todas são obrigadas a fornecer mediante solicitação formal.
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