Em qualquer relatório de sinistralidade de plano de saúde coletivo, os atendimentos de pronto-socorro figuram entre os maiores geradores de custo, não porque sejam os mais frequentes, mas porque custam muito mais do que alternativas equivalentes para o mesmo problema de saúde.
A boa notícia: uma parcela relevante desse custo é evitável com uma ação que está completamente ao alcance do RH: educação sobre o uso do plano.
A diferença de custo que explica o problema
Uma consulta com clínico geral agendada na rede credenciada custa, em média, entre R$ 80 e R$ 150 para o plano. O mesmo atendimento realizado em pronto-atendimento custa entre R$ 250 e R$ 450, considerando a taxa de pronto-socorro, triagem e eventuais exames rápidos. Para planos sem coparticipação, o custo vai inteiramente para a sinistralidade da empresa.
Estudos de utilização mostram que entre 25% e 40% dos atendimentos de pronto-atendimento poderiam ter sido resolvidos com consulta agendada, queixa respiratória leve, infecção urinária, cefaleia de padrão habitual, quadros que não configuram emergência médica real.
Por que os colaboradores vão ao PA mesmo assim
Não é descuido, é falta de informação e falta de acesso. Os três motivos mais comuns: não sabem como agendar consulta na rede do plano, não conhecem os médicos disponíveis e desconfiam da disponibilidade, e associam PA com resolução mais rápida (o que é verdade para emergências, mas não para quadros eletivos).
O que funciona como intervenção
- →Comunicação clara sobre como agendar consulta: passo a passo por WhatsApp, e-mail ou cartaz no refeitório, com o número do plano em destaque.
- →Campanha semestral sobre uso consciente do plano: explicar a diferença entre urgência e consulta eletiva, sem culpabilizar o colaborador.
- →Telemedicina como alternativa de porta de entrada: operadoras que oferecem teleconsulta têm redução documentada de PA em 15% a 30% nas populações onde o serviço é amplamente comunicado.
O impacto na sinistralidade
Uma redução de 20% no volume de atendimentos de PA, em uma empresa com 200 colaboradores e sinistralidade de 80%, pode representar redução de 3 a 5 pontos percentuais na sinistralidade, o suficiente para mudar o enquadramento do reajuste na próxima renovação.
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